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Pirataria

Ação Global contra Cibercrime investirá 19bi euros até 2024

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Ação Global contra cibercrime

Ação Global contra o Cibercrime, também conhecida pela sigla GLACY (de Global Action on Cybercrime) é uma iniciativa da União Europeia que deve investir cerca de 19 bilhões de euros, até 2024, no combate aos golpes e delitos digitais, como pornografia infantil, violações a direitos autorais, fraudes e ataques à segurança de sistemas e dados.

A cooperação internacional nesta área é fundamental, porque a maioria dos crimes digitais tem criminosos em países diferentes e vítimas espalhadas pelo mundo todo.

O Brasil se prepara para fazer parte desta rede de cooperação internacional. No final de julho, o presidente Jair Bolsonaro encaminhou ao Congresso Nacional o processo de adesão do país à Convenção de Budapeste, que estabelece protocolos de atuação conjunta dos estados nesta área.

A participação do Brasil na comunidade internacional de combate ao cibercrime vem sendo discutida em uma série de webinars promovida pela consultoria Ltahub, especializada em investigações nesta área, em parceria com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O segundo webinar aconteceu nesta quinta-feira (17) e tratou das mudanças institucionais necessárias aos estados para o combate internacional ao cibercrime.

O encontro reuniu o general Claudio Peceguero, da Direção Geral em Assuntos Cibernéticos da Polícia Nacional da República Dominicana, e Horacio Azzolin, procurador federal da Unidade Especializada em Ciberdeliquência (UFECI) na Argentina.

Capacitação de agentes contra o Cibercrime

O general Peceguero apresentou os avanços gerados pela Ação Global contra o Cibercrime, que tem a República Dominicana como um hub para a América Latina e Caribe.

A Ação Global apoia 15 países na África, Ásia-Pacífico, América Latina e Caribe, que servem como centros de referência para o combate ao cibercrime em suas regiões.

O general ressaltou que, para uma cooperação internacional efetiva, as legislações penais e ferramentas processuais devem ser equivalentes nos países membros da Convenção de Budapeste. E afirmou que o tempo de adaptação a esses padrões é um desafio diante da urgência de combate aos criminosos.

“Cada país tem suas leis e ferramentas de combate ao cibercrime, e a colaboração internacional requer tempo, mas temos vítimas hoje e precisamos dar respostas a elas”, frisou o oficial, que também dirige a unidade de polícia especializada em crianças e adolescentes na República Dominicana.

Peceguero também destacou a importância da capacitação de agentes legais em diversas regiões de cada país, para dar agilidade no combate ao cibercrime.

“Um dos temas mais críticos é que todas as regiões tenham pessoas capacitadas a investigar estes crimes, aptas a fazer, por exemplo, perícias em dispositivos eletrônicos”, apontou.

Mudanças nas leis

Já o procurador argentino Horacio Azzolin salientou que aderir à Convenção de Budapeste é apenas o primeiro passo para uma cooperação internacional de combate ao cibercrime.

Ele mencionou que na Argentina, assim como em outros países, foi necessário promover uma série de alterações em leis para garantir a efetividade das investigações e punições aos criminosos digitais.

“O ideal é que os textos legislativos de cada país sejam preparados para o combate ao cibercrime”, recomendou.
Azzolin também chamou a atenção para a necessidade de capacitação permanente dos agentes da lei para lidar com estes tipos de delitos.

“Essa formação permite pensar fora da caixa, porque a forma de investigar é totalmente diferente dos crimes comuns. Hoje sabemos como funciona uma rede social, mas amanhã será outra e precisamos aprender como esta operar, porque os criminosos certamente saberão como fazer isso”, alertou.

Sobre a Convenção de Budapeste

Em vigor desde 2004, a Convenção de Budapeste serve de orientação a qualquer país que pretenda desenvolver legislação contra o cibercrime.

Somente em 2019 o Brasil foi convidado a aderir à Convenção de Budapeste, após iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública e dos esforços do Grupo de Trabalho constituído para esse fim, envolvendo Ministério das Relações Exteriores, Polícia Federal, Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Agência Brasileira de Inteligência e Ministério Público Federal.

Uma vez signatário, o Brasil se unirá ao círculo internacional que já inclui 44 estados-membros do Conselho da Europa e 20 estados não membros, como os EUA, Canadá, Chile, Argentina, Colômbia, República Dominicana e Peru, nas Américas.

Imprensa

Pirataria no Brasil expõe consumidores a riscos cibernéticos até 100 vezes maiores do que sites legítimos

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Andressa Pappas Vice-Presidente de Relações Governamentais e Diretora-Geral da MPA do Brasil. (Crédito: Marcos Mesquita/TELA VIVA)

A Motion Picture Association (MPA) emitiu um alerta nesta terça, 5, sobre os elevados riscos à segurança do usuário decorrentes do consumo de conteúdo audiovisual pirata no Brasil. A conclusão faz parte de um estudo apresentado durante o Brasil Streaming 2026, realizado por TELA VIVA e TELETIME onde também foi discutida a nova estratégia de fiscalização da Ancine para eventos ao vivoO objetivo central do relatório é reenquadrar o debate sobre a pirataria digitalEm vez de focar apenas nas perdas financeiras e na propriedade intelectual, a análise posiciona a pirataria como uma grave ameaça à proteção do consumidor e à segurança nacional.

Fonte: Tela Viva I Fernando Lauterjung I Imagem: Andressa Pappas Vice-Presidente de Relações Governamentais e Diretora-Geral da MPA do Brasil. (Crédito: Marcos Mesquita/TELA VIVA)

O estudo, intitulado “Riscos para o consumidor decorrentes da pirataria no Brasil”, foi coordenado pelo especialista em segurança cibernética Paul A. Watters. Segundo a vice-presidente de Relações Governamentais e diretora-geral da MPA do Brasil, Andressa Pappas, o trabalho reflete o objetivo global da associação de “produzir inteligência qualificada, inteligência robusta, para a gente poder ajudar no desenvolvimento de políticas públicas”. Durante o evento, Pappas enfatizou que os ambientes de pirataria “são ambientes muito perigosos porque apresentam um alto risco cibernético”.

A executiva destacou a necessidade de ampliar a rede de fiscalização, defendendo o engajamento de entidades voltadas à defesa do usuário nas diferentes esferas governamentais. Para Pappas, o trabalho conduzido pelas agências reguladoras precisa ser obrigatoriamente complementado por outras instâncias do Estado. “Não basta mais apenas Ancine, Anatel e outros órgãos. A gente precisa focar, sim, em órgãos que cuidem em nível federal, estadual e municipal da proteção do consumidor”, argumentou a diretora-geral da MPA do Brasil.

A metodologia da pesquisa envolveu a análise de uma amostra de 240 URLs, comparando 30 dos sites piratas mais populares no país com um grupo de controle de 30 sites convencionaisA coleta de dados utilizou a API do VirusTotal, que agrega inteligência de mais de 90 fornecedores de segurançaO levantamento examinou sete categorias: Esporte, Streaming, Retransmissão de IPTV, Assinatura de IPTV, Anime, P2P (Peer-to-Peer) e portais de Fraude (Scam).

Os achados quantitativos indicam uma disparidade entre plataformas legítimas e ilegais. Na melhor das hipóteses, os consumidores brasileiros enfrentam um aumento médio de mais de 29 vezes (29,14x) nas detecções de ameaças cibernéticas ao acessarem sites de piratariaNo cenário mais desfavorável, o risco relativo médio sobe para 54,42 vezes.

De forma detalhada, as categorias apresentam variações extremas de perigo:

  • Sites P2P: apresentam um risco relativo até 100 vezes maior do que sites convencionais.

  • Pirataria de anime: o risco é até 80 vezes superior.

  • Portais de golpes (Scam): oferecem ameaças até 67 vezes maiores.

  • Pirataria de streaming: o risco relativo chega a 63 vezes.

  • Retransmissão de IPTV: a exposição é até 35 vezes superior.

  • Pirataria esportiva: apresenta risco até 26 vezes maior.

  • Assinaturas de IPTV: registram risco até 10 vezes superior.

O relatório descreve que essas plataformas servem como “canais de distribuição de cibercrime”, veiculando códigos maliciosos de forma silenciosaEntre as ameaças detectadas estão malwares de download automático (drive-by downloads), ransomwares que sequestram arquivos pessoais e scripts de cryptojacking, que utilizam o processamento do hardware do usuário para minerar criptomoedasTambém foram identificadas tentativas de phishing para roubo de credenciais bancárias e MFA, além de spywares destinados à exfiltração de documentos confidenciais.

Um ponto crítico destacado pelo estudo é o papel dos Dispositivos de Streaming Ilegais (ISDs), as “TV boxes”. Por operarem diretamente nas redes domésticas com acesso de administrador, esses aparelhos podem capturar tráfego local e contornar firewallsO relatório aponta que uma proporção significativa desses dispositivos e seus serviços de backend tem origem em centros de fabricação na China, muitas vezes chegando ao mercado com firmwares inseguros ou malwares incorporados.

“O risco é sistêmico. A gente não pode mais falar de um consumidor individual ou isoladamente”, alertou Pappas durante o painel. Um exemplo citado no estudo é a botnet Bigpanzi, que atingiu aproximadamente 170 mil bots ativos diariamente no seu pico, com a maioria localizada no Brasil, infectando televisores e decodificadores via Android.

O estudo também analisa o aspecto comportamental, descrevendo a “normalização da pirataria”A aceitação cultural reduz a atenção dos usuários à segurança, levando-os a desativar proteções ou ignorar avisos de navegadores. Andressa Pappas ressaltou que a pirataria “não é mais apenas uma questão de infração dos direitos autorais”, sendo “premente que o olhar agora do Estado seja, para além disso, de segurança”.

Diante da “disparidade gritante” entre o mercado legítimo e o ilícito, o relatório recomenda o reforço da fiscalização e a consolidação do mecanismo administrativo de bloqueio de sites sob a autoridade da AncineA análise sugere que o bloqueio rápido de domínios maliciosos deve ser reconhecido como uma intervenção de segurança nacional, complementada por iniciativas de educação digital e “dissuasão suave”, como o uso de mensagens de aviso e chatbots para redirecionar usuários a opções legítimas.

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Antipirataria

ABTA reforça núcleo de combate à pirataria com a entrada da Watch e da Randy Labs

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A Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) anunciou a integração da Watch e da Randy Labs ao seu Núcleo de Combate à Pirataria. A iniciativa visa fortalecer a identificação e denúncia de provedores e plataformas envolvidos na distribuição ilegal de conteúdo audiovisual no país, um mercado que, segundo estudos da própria associação, provoca perdas anuais superiores a R$ 15 bilhões.

 

Fonte: Tela Viva / Imagem: Canva

A Watch, um aplicativo de streaming para provedores de internet, contribuirá com sua experiência em inteligência digital e análise de dados para rastrear atividades ilícitas. “O avanço da pirataria representa uma ameaça real à sustentabilidade do ecossistema audiovisual, comprometendo investimentos, empregos e a segurança digital dos consumidores”, afirmou Maurício Almeida, fundador da Watch e líder do Conselho Antipirataria da Abotts. Ele complementa que “essa parceria com a ABTA reforça a importância da cooperação entre o setor privado e as entidades reguladoras para desmantelar redes ilegais de distribuição de conteúdo e fortalecer a confiança no mercado”.

A outra nova integrante é a empresa portuguesa Randy Labs, especializada em inteligência artificial aplicada à proteção de direitos digitais. A companhia desenvolveu a plataforma DRE – Digital Rights Enforcement, que detecta, valida e aciona medidas automáticas contra a pirataria em tempo real e é utilizada em mais de 20 países. “Hoje, conteúdos audiovisuais são copiados e retransmitidos online em questão de minutos. O desafio não é apenas detectar, mas reagir com precisão e velocidade. É isso que a nossa tecnologia faz”, explicou Carlos Martins, CEO da Randy Labs.

O problema da pirataria atinge uma parcela significativa da população conectada no Brasil, onde quatro em cada dez internautas consomem vídeos piratas. Para o presidente da ABTA, Oscar Simões, a união de forças é um passo fundamental. “Combater a pirataria é proteger o consumidor, o investimento e a inovação. Essa união entre ABTA, Watch e Randy Labs demonstra maturidade e comprometimento de todos os stakeholders do setor em enfrentar o problema de forma estruturada, com base em evidências e colaboração institucional”, destacou.

O Núcleo de Combate à Pirataria da ABTA atua em parceria com órgãos públicos como a Ancine, a Anatel, o Ministério da Justiça, o Ministério Público, o Procon e a Receita Federal.

A ABTA representa as principais empresas do setor de TV por assinatura no Brasil, com a missão de defender os interesses da indústria e liderar iniciativas contra a pirataria audiovisual. Lançada em 2018, a Watch funciona como um hub de conteúdo para provedores de internet, oferecendo acesso a produções de estúdios como Globo, MAX e ESPN para milhares de ISPs no país. A Randy Labs, por sua vez, é uma empresa portuguesa que fornece soluções de inteligência artificial para proteção de conteúdos digitais, atendendo emissoras, ligas esportivas e reguladores globalmente.

 

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