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Evento presencial
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Fonte e imagem: Teletime
Imprensa
Pirataria no Brasil expõe consumidores a riscos cibernéticos até 100 vezes maiores do que sites legítimos
A Motion Picture Association (MPA) emitiu um alerta nesta terça, 5, sobre os elevados riscos à segurança do usuário decorrentes do consumo de conteúdo audiovisual pirata no Brasil. A conclusão faz parte de um estudo apresentado durante o Brasil Streaming 2026, realizado por TELA VIVA e TELETIME onde também foi discutida a nova estratégia de fiscalização da Ancine para eventos ao vivo. O objetivo central do relatório é reenquadrar o debate sobre a pirataria digital. Em vez de focar apenas nas perdas financeiras e na propriedade intelectual, a análise posiciona a pirataria como uma grave ameaça à proteção do consumidor e à segurança nacional.
Fonte: Tela Viva I Fernando Lauterjung I Imagem: Andressa Pappas Vice-Presidente de Relações Governamentais e Diretora-Geral da MPA do Brasil. (Crédito: Marcos Mesquita/TELA VIVA)
O estudo, intitulado “Riscos para o consumidor decorrentes da pirataria no Brasil”, foi coordenado pelo especialista em segurança cibernética Paul A. Watters. Segundo a vice-presidente de Relações Governamentais e diretora-geral da MPA do Brasil, Andressa Pappas, o trabalho reflete o objetivo global da associação de “produzir inteligência qualificada, inteligência robusta, para a gente poder ajudar no desenvolvimento de políticas públicas”. Durante o evento, Pappas enfatizou que os ambientes de pirataria “são ambientes muito perigosos porque apresentam um alto risco cibernético”.
A executiva destacou a necessidade de ampliar a rede de fiscalização, defendendo o engajamento de entidades voltadas à defesa do usuário nas diferentes esferas governamentais. Para Pappas, o trabalho conduzido pelas agências reguladoras precisa ser obrigatoriamente complementado por outras instâncias do Estado. “Não basta mais apenas Ancine, Anatel e outros órgãos. A gente precisa focar, sim, em órgãos que cuidem em nível federal, estadual e municipal da proteção do consumidor”, argumentou a diretora-geral da MPA do Brasil.
A metodologia da pesquisa envolveu a análise de uma amostra de 240 URLs, comparando 30 dos sites piratas mais populares no país com um grupo de controle de 30 sites convencionais. A coleta de dados utilizou a API do VirusTotal, que agrega inteligência de mais de 90 fornecedores de segurança. O levantamento examinou sete categorias: Esporte, Streaming, Retransmissão de IPTV, Assinatura de IPTV, Anime, P2P (Peer-to-Peer) e portais de Fraude (Scam).
Os achados quantitativos indicam uma disparidade entre plataformas legítimas e ilegais. Na melhor das hipóteses, os consumidores brasileiros enfrentam um aumento médio de mais de 29 vezes (29,14x) nas detecções de ameaças cibernéticas ao acessarem sites de pirataria. No cenário mais desfavorável, o risco relativo médio sobe para 54,42 vezes.
De forma detalhada, as categorias apresentam variações extremas de perigo:
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Sites P2P: apresentam um risco relativo até 100 vezes maior do que sites convencionais.
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Pirataria de anime: o risco é até 80 vezes superior.
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Portais de golpes (Scam): oferecem ameaças até 67 vezes maiores.
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Pirataria de streaming: o risco relativo chega a 63 vezes.
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Retransmissão de IPTV: a exposição é até 35 vezes superior.
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Pirataria esportiva: apresenta risco até 26 vezes maior.
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Assinaturas de IPTV: registram risco até 10 vezes superior.
O relatório descreve que essas plataformas servem como “canais de distribuição de cibercrime”, veiculando códigos maliciosos de forma silenciosa. Entre as ameaças detectadas estão malwares de download automático (drive-by downloads), ransomwares que sequestram arquivos pessoais e scripts de cryptojacking, que utilizam o processamento do hardware do usuário para minerar criptomoedas. Também foram identificadas tentativas de phishing para roubo de credenciais bancárias e MFA, além de spywares destinados à exfiltração de documentos confidenciais.
Um ponto crítico destacado pelo estudo é o papel dos Dispositivos de Streaming Ilegais (ISDs), as “TV boxes”. Por operarem diretamente nas redes domésticas com acesso de administrador, esses aparelhos podem capturar tráfego local e contornar firewalls. O relatório aponta que uma proporção significativa desses dispositivos e seus serviços de backend tem origem em centros de fabricação na China, muitas vezes chegando ao mercado com firmwares inseguros ou malwares incorporados.
“O risco é sistêmico. A gente não pode mais falar de um consumidor individual ou isoladamente”, alertou Pappas durante o painel. Um exemplo citado no estudo é a botnet Bigpanzi, que atingiu aproximadamente 170 mil bots ativos diariamente no seu pico, com a maioria localizada no Brasil, infectando televisores e decodificadores via Android.
O estudo também analisa o aspecto comportamental, descrevendo a “normalização da pirataria”. A aceitação cultural reduz a atenção dos usuários à segurança, levando-os a desativar proteções ou ignorar avisos de navegadores. Andressa Pappas ressaltou que a pirataria “não é mais apenas uma questão de infração dos direitos autorais”, sendo “premente que o olhar agora do Estado seja, para além disso, de segurança”.
Diante da “disparidade gritante” entre o mercado legítimo e o ilícito, o relatório recomenda o reforço da fiscalização e a consolidação do mecanismo administrativo de bloqueio de sites sob a autoridade da Ancine. A análise sugere que o bloqueio rápido de domínios maliciosos deve ser reconhecido como uma intervenção de segurança nacional, complementada por iniciativas de educação digital e “dissuasão suave”, como o uso de mensagens de aviso e chatbots para redirecionar usuários a opções legítimas.
Antipirataria
Modelo da Anatel de combate à pirataria de TV ganha prêmio da UIT
O modelo de combate à pirataria de TV por assinatura adotado pela Anatel recebeu um prêmio de reconhecimento da União Internacional de Telecomunicações.
O modelo de combate à pirataria de TV por assinatura adotado pela Anatel recebeu um prêmio de reconhecimento da União Internacional de Telecomunicações.
O projeto Plano de Ação de Combate à TV Box Pirata foi inscrito na categoria “Ambiente Habilitador” (Enabling Environment) do Prêmio WSIS 2024 – World Summit on the Information Society e ficou entre os quatro vencedores da categoria, concorrendo com projetos do mundo todo inscritos por empresas, reguladores e governos.
Desde 2023, a Anatel passou a monitorar, por meio de um laboratório especialmente desenvolvido para isso, o funcionamento das caixas de TV box clandestinas, identificando os endereços IP utilizados para a autenticação dos equipamentos e realização dos streamings de dados.
A partir desses dados, são testados previamente e depois determinados bloqueios de endereços IPs associados às práticas criminosas, inviabilizando o funcionamento das caixas de IPTV clandestinas. A medida se soma aida às ações de busca e apreensão de equipamentos não homologados e intervenções junto aos marketplaces digitais que vendem esses equipamentos.
Artur Coimbra, conselheiro da Anatel que hoje coordena o tema, lembrou que o projeto começou ainda sob a gestão do então conselheiro Moisés Moreira, representando um avanço da Anatel em direção a uma nova abordagem de combate aos serviços clandestinos de TV paga.
Recentemente, a legislação passou a dar também à Ancine instrumentos de atuação na frente de pirataria de TV por assinatura, e com isso a interlocução entre as duas agências foi ampliada, destacou Coimbra. Segundo apurou este noticiário, a agência do audiovisual inclusive já reestruturou algumas áreas para atuarem especificamente no combate à pirataria.
Matéria : Teletime
Imagens: por Pixabay
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