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Mônica Cristina Viana é uma das autoras campeãs de venda no Brasil do modelo de “auto-publicação” de livros, lançado com ferramenta Kindle, da Amazon. Com mais de 40 livros publicados, é autora da série intitulada Paixões Gregas. Outra série de grande sucesso é a Horses Valley, que está chegando ao fim, faltando apenas um título a ser lançado nos próximos meses. Mônica vende em média 800 e-books por mês pela Amazon. Nesta entrevista ela nos conta como começou sua carreira, a sua fórmula de sucesso e apresenta sua visão sobre a pirataria editorial.

Sou legal – Conte-nos como você começou a publicar seus livros.

Mônica Cristina – Sempre amei escrever e por muito tempo, parecia ser um sonho impossível publicar. Com a chegada da ferramenta Kindle, descobri que podia lançar meus trabalhos sozinha a um custo razoável e tomei a decisão de arriscar. Confesso que a decisão mais difícil foi se devia ou não mostrar meu trabalho, mas fui convencida que seria uma ótima ideia e que teria um bom público e, felizmente, tudo tem dado bastante certo.

Sou legal – Existe uma fórmula para criar livros campeões de vendas? Qual é a sua?

Mônica Cristina – Eu não sei se existe uma fórmula, acredito que antes de tudo, é preciso escrever sobre o que gosta. Além disso, a ideia de leitores fiéis a meu estilo de escrita ajudam a manter as vendas em alta. Os leitores me conhecem, acreditam no meu trabalho e encontram nos meus livros o que buscam. Também me dedico sempre como se fosse o primeiro e único livro. O mais importante acredito que seja encontrar seu tipo de público e se conectar com ele.

Sou legal – É viável viver da venda deste tipo de livro digital no Brasil? Ou tem uma renda extra?

Mônica Cristina – Para quem está começando, acredito que não. Mas tenho vários títulos publicados, todos têm ótima aceitação, então no meu caso, já é possível me dedicar a esse trabalho. Sinto que em breve, com o crescimento da plataforma digital no Brasil, que ainda não é muito divulgada, deve se tornar mais rentável publicar ebooks.

Sou legal – Sempre foi muito comum se fazer cópias xerox de livros. Até nas universidades isso sempre aconteceu. As pessoas ou não enxergam isso como um crime, ou consideram um crime menor e aceitável. Principalmente quando isso está relacionado a “democratização do conhecimento”. Como você vê isso.

Mônica Cristina – Infelizmente, sinto que é cultural no Brasil, as pessoas não enxergam como crime. Ainda hoje encontro pessoas distribuindo PDF sem saber que é uma cópia não autorizada. Procuro sempre explicar e, em boa parte dos casos, vejo que as pessoas compreendem o erro, então acredito que uma parte das pessoas faz isso por falta de conhecimento e outra grande maioria realmente usa a “desculpa” da democratização do conhecimento. Pessoalmente, acredito que democratizar o conhecimento é conseguir baixar os custos dos livros para que todos tenham acesso e isso não será possível enquanto houver tanta distribuição ilegal.

Sou legal – Como se dá a cadeia de prejuízos quando uma obra é pirateada. Quais são os profissionais prejudicados na cadeia produtiva de um livro, além do próprio autor?

Mônica Cristina – Uma cadeia de profissionais sai prejudicada com a pirataria. Principalmente autores nacionais que já têm tanta dificuldade para serem reconhecidos. Fica difícil para uma editora bancar os riscos de publicar um livro que muitas vezes já está sendo distribuído ilegalmente. Perde a editora, o autor e inúmeros profissionais do meio, revisores, diagramadores, capistas. Mesmo no mercado digital esses profissionais são necessários e quando se vende menos, se paga menos a toda uma cadeia de profissionais.

Sou legal – Sua obra já foi pirateada? Existe algum tipo de controle sobre isso, ou seja, é possível saber quantos livros poderiam ter sido vendidos, mas foram pirateados?

Mônica Cristina – Sim, infelizmente, praticamente todos os meus livros foram distribuídos em PDF, é quase impossível calcular as perdas, mas acredito que em média, venderia três ou quatro vezes mais sem a pirataria.

Sou legal – Na sua visão, por que as pessoas aderem à pirataria?

Mônica Cristina – Falta de conhecimento, desrespeito completo ao profissional, mas acho que o principal é a falta de leis para combater esse crime. Nós ficamos de mãos atadas porque, em muitos casos, sabemos quem, onde e como, mas não existe uma lei que puna. Sabendo disso, o crime continua e continua.

Sou legal – Como escritores e editoras podem contribuir para a diminuição da pirataria no âmbito da propriedade intelectual?

Mônica Cristina – Acho que nossa função é alertar, continuar denunciando e explicando aos leitores o prejuízo que eles mesmos acabam sofrendo com a pirataria. Ninguém sai ileso, do consumidor final ao proprietário intelectual da obra, todos se prejudicam em algum nível. Tratar do tema de modo aberto é no momento nossa única arma.

Sou legal – O Conselho da União Europeia aprovou a Proposta de Diretiva sobre Direito Autoral 2016/0280 (COD), com o objetivo de combater a pirataria e a distribuição de conteúdo on-line que implique em violação aos direitos de autor. Ela gerou grande polêmica por receber acusações de que causaria o fim da internet. Você acompanhou o assunto? Qual a sua opinião?

Mônica Cristina – Tenho acompanhado sim o assunto e desejo que o Brasil possa seguir em breve o mesmo caminho. Acho a internet um universo gigantesco e que nada pode causar seu fim. Acho essencial ampliar o debate sobre o tema, não é apenas sobre o direito ao lucro dos profissionais, mas também acesso da população à cultura. Acredito que não apenas leis mais duras, mas baratear o acesso e conscientizar as pessoas deve ser a maneira de salvar a internet e também quem produz seu conteúdo.

Assista o vídeo:

Pirataria

Grupo que pirateava TV por assinatura é condenado

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Grupo, de cinco homens e uma mulher, que pirateava sinais de TV por assinatura e vendia o serviço de maneira irregular é condenado, a mais de 37 anos de prisão, pela Promotoria de Justiça de Carapicuíba (SP), em uma decisão inédita.

Parte do grupo criminoso criou uma rede ilegal de TV por assinatura, com nome empresarial clandestino, distribuindo programação de dezenas de canais e disponibilizando aos instaladores dos aparelhos até uniformes com logomarca própria.  

Por meio de uma central de distribuição, o grupo colocou cabos coaxiais em postes, para distribuir o sinal em diversos pontos de Carapicuíba. A quadrilha contava inclusive com propaganda do negócio clandestino, por meio de folders, colocados nas residências dos lugares onde já havia o cabeamento irregular. 

De acordo com a matéria no site do Ministério Público do Estado de  São Paulo a sentença abarca crimes de associação criminosa e violação de direito autoral. 

Os portais Telaviva , TeleSíntese e o Globoplay também noticiaram importante condenação.

 

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Pirataria

TV Box pirata é alvo da ANATEL em 2023

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ANATEL que acabar com TV Box pirata

Bastante utilizada no Brasil, a TV Box – aparelho responsável por transformar as TVs convencionais em Smart TVs – é causa de preocupação das autoridades e pode estar com os dias contados. A ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) já faz estudos para acabar, em 2023, com a utilização dos aparelhos não homologados pelo órgão, segundo notícia publicada no canal Tilt do UOL.

Como já foi dito em outras matérias do Sou Legal, esse formato de transmissão não é ilegal. O que acontece é que, por meio dessas caixinhas, o conteúdo das TVs por assinatura pode ser pirateado (baixado) e liberado gratuitamente – ou por valores muito baixos – para os usuários, sem recolher taxas, como a de direitos autorais, por exemplo, constituindo pirataria.

A TV Box deve ser homologadas pela ANATEL antes de ser colocada à venda, o que nem sempre acontece, caracterizando também a irregularidade do produto. Por isso, a entidade está estudando maneiras de acabar com a utilização dos equipamentos que não são homologados e de como impedir o seu uso irregular.

Estudo da ANATEL

Segundo Herculano Tercius, superintendente de Fiscalização da ANATEL – em entrevista para o canal Tilt – na primeira fase do estudo estão analisando internamente o que é possível fazer. Depois serão as fases de aprovação, operacionalização e só então o bloqueio dos sinais irregulares.

Outra medida tomada pela ANATEL é a fiscalização nas vendas dessas TVs. Estabelecimentos comerciais e pessoas flagradas vendendo ilegalmente são multados e têm os produtos apreendidos, além de responderem a processo administrativo.

De acordo com a agência, 1,2 milhões de Smart TVs Box piratas foram apreendidas nos últimos cinco anos. De janeiro de 2021 até hoje, foram 857 mil unidades.

Para Tercius, a percepção é de que o número de apreensões está reduzindo. Como os trabalhos de fiscalização foram intensificados, há menos produtos no mercado. Um bom sinal.

Além do estudo, a ANATEL está fazendo uma consulta pública para que as pessoas opinem sobre as exigências para avaliação desses equipamentos, visando criar uma classificação de produto específica para a categoria e incluir procedimentos para a verificação da presença de funções que violem a legislação brasileira de direitos autorais. A consulta está aberta até dia 20 de novembro no link: (https://apps.anatel.gov.br/ParticipaAnatel/VisualizarTextoConsulta.aspx?TelaDeOrigem=2&ConsultaId=10071

 

 

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